Mindfulness: uma proposta para sair do automático

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Mindfulness. Coloque a palavra no Google, e ele responderá com 116 milhões de resultados. O número dá uma ideia do tamanho da popularidade da técnica, assunto de  livros, centros dedicados ao bem estar, cursos em empresas e escolas. Criada em 1979 pelo professor americano John Kabat-Zinn, da Universidade de Massachussets, nos EUA, a prática tem como objetivo a redução do estresse e o desenvolvimento da capacidade de superar dores e desafios cotidianos e é cada vez mais popular nos EUA e na Europa, onde os aplicativos Headspace e Calm já foram baixados por 38 milhões de usuários. No Brasil, a técnica, também chamada de atenção plena, se dissemina e começa a chegar a escolas, como a Esfera, em São Paulo, e a Britânica, no Rio, através do trabalho de instrutores como a paulista Marina Neumman, 53 anos. Engenheira eletrônica, Marina trabalhou em multinacionais na área de Tecnologia até que percebeu nos programas de minfulness um novo caminho profissional. Especialista em Mindfulness pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, com cursos de especialização da técnica aplicada à oncologia, educação e liderança corporativa, ela dirige o Instituto Latino Americano de Mindfulness e Bem Estar e garante: “O mindfulness não é uma onda passageira”.

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A moral da magreza e a pastoral do suor

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Vivemos numa cultura bulímica, que convida ao excesso, e depois exige o seu expurgo

A mãe aflita e seu filho gordinho, que sofre bullying na escola. A bailarina, muito magra, obcecada pela dieta. O homem forte, que se vê franzino; a magra, que acredita ser  gorda. São exemplos dos que sofrem o que a psicanalista Joana Novaes chama de doenças da beleza. Cada vez mais frequentes, elas são produto de uma cultura que valoriza a comida como símbolos de status, alegria e afeto, mas que também impõe uma moral da magreza, exigindo corpos ascéticos. No Brasil, 4,7% da população apresenta algum transtorno alimentar.  Aos 42 anos, pós doutora em Psicologia Médica e Social, a psicanalista carioca é especialista em transtornos alimentares e coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa e Intervenção Social (LIPIS) da PUC-Rio. Consultora da marca Dove, ela é autora de O intolerável peso da feiúra – Sobre as mulheres e seus corpos e Com que corpo eu vou? Sociabilidade e usos do corpo nas mulheres das camadas altas e populares, além de vários artigos.

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“Precisamos tomar decisões para os nossos filhos, netos e bisnetos”

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O economista Sergio Besserman adora contar histórias – e se dedica a isso. Nesses tempos apressados, em que a objetividade é virtude venerada, o carioca de 61 anos ilustra suas ideias com citações de filósofos e cientistas sociais. Tempera a filosofia com piadas e um ou outro palavrão. É com essa mistura de humor e erudição que Besserman fascina audiências, tanto como professor da PUC, como em suas palestras sobre mudanças climáticas e sustentabilidade, tema a que se dedica desde 1992. Com frequência, o presidente do Instituto Jardim Botânico, deixa o seu gabinete para falar a jovens em escolas e centros culturais de bairros de periferia. “Isso é o meu ativismo. É o mais importante”, diz Besserman. Ex-diretor do BNDES, e ex-presidente do IBGE, vencedor de prêmios como o BNDES (por sua tese de mestrado) e Faz Diferença, o economista tem uma certeza: economia e hábitos terão de mudar radicalmente para reduzir o impacto sobre o meio ambiente. A questão é se essa transformação será feita nas próximas décadas. “Se não fizermos agora, terá de ser feito de forma muito mais acelerada, e com muito mais perturbações climáticas, econômicas e civilizatórias”, prevê. Por outro lado, Besserman considera a crise ambiental como o catalisador de uma revolução profunda, comparável ao Renascimento e ao Iluminismo: “Pela primeira vez, o conhecimento humano está dizendo para nós: tem limites”.

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Justiça fora do tribunal

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“Vara de Família não é o lugar para se discutir ressentimento”

O site da advogada Olivia Furst tem na home fotos de momentos familiares e frases de Gandhi e Caetano Veloso (“Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem, apenas sei de diversas harmonias bonitas, possíveis e sem juízo final”). No seu escritório, em uma casa charmosa de Botafogo, uma sala cheia de brinquedos mostra que as crianças são bem vindas. É ali que a carioca de 42 anos exerce a advocacia colaborativa, ramo ainda pouco conhecido da profissão. A especialidade tem uma peculiaridade: dispensa os embates nos tribunais. Nas negociações de divórcio e partilhas que costuma assessorar, Olivia assina um compromisso de não litigância com o advogado da outra parte. Assim, os dois profissionais e as pessoas envolvidas podem negociar com liberdade o melhor acordo possível.

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