“A questão não é a tecnologia, é a pedagogia”

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A repetência, entendida por muitos como indício de qualidade na educação, é ineficaz e cara. A desigualdade começa na sala de aula, entre os alunos que se sentam no centro e os que ficam na periferia. O uso de tecnologia não implica, necessariamente, em uma melhora do ensino. Estes são alguns assuntos que o jornalista Antônio Gois tem abordado na sua coluna no jornal O Globo, em palestras e livros. Desde 1996 dedicado a escrever sobre Educação, Gois é diretor e fundador da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), que reúne mais de mil profissionais, e colaborador do Instituto Unibanco. É, ainda, autor dos livros Quatro Décadas de Gestão Educacional no Brasil (2018) e Líderes na Escola: o que fazem bons diretores e diretoras, e como os melhores sistemas educacionais do mundo os selecionam, formam e apoiam (2020). Carioca radicado em São Paulo, o jornalista de 46 anos também vivencia as questões da Educação como pai de Rosa, de 9 anos, e Francisco, de 12. Nesta entrevista, Gois discute o ensino a distância, a formação de professores, homeschooling, a importância do convívio com a diversidade nos ambientes escolares e os efeitos da polarização de opiniões sobre o ensino. “Transmissão de conteúdo é uma parte do processo educacional. Nós queremos muito mais do que isso”, define.

O aumento do uso da tecnologia nas escolas está mudando as relações pedagógicas? Como você está vendo o impacto da pandemia na educação? 

Não há dúvida de que a pandemia chacoalhou o mundo da Educação em todo o mundo e acirrou desigualdades.  Em um país como o Brasil, isso foi mais intenso ainda, tanto pela falta de acesso aos recursos para assistir aulas à distância quanto pelas dificuldades de adaptação das crianças. Estamos assistindo a um processo de perda de aprendizagem, perda de engajamento. Antes da pandemia já sabíamos que o ensino online não é um substituto perfeito do ensino presencial. Nos Estados Unidos, por exemplo, já havia escolas 100% online. E os resultados dos alunos eram ruins: uma pesquisa da Universidade de Stanford de 2015 mostrou que os estudantes de escolas online se saíam pior em matemática e leitura do que os de escolas convencionais. Isso não significa que o uso de tecnologia de forma tão intensa não abra possibilidades de repensarmos a Educação. Mas acho que ninguém de bom senso, no Brasil ou no mundo, cogita a hipótese de que o ensino 100% online será um bom substituto do ensino presencial.

O uso da tecnologia e o ensino à distância podem democratizar o acesso à educação?

Nenhum país do mundo aposta no ensino médio ou fundamental à distância. O caso do ensino superior é diferente. Em alguns países já havia, inclusive, tradição de aulas à distância.  O que me parece é que certos perfis de alunos se adaptam melhor a esse formato de aula, assim como alguns cursos funcionam melhor online do que outros. Por outro lado, mimetizar uma aula presencial é um péssimo uso da tecnologia. E foi o que vimos acontecer durante a pandemia: professores falando para turmas de 30 alunos, repetindo o modelo tradicional de transmissão de conhecimento. A questão não é a tecnologia, é a pedagogia. É preciso evitar o deslumbramento com a tecnologia que existe no mundo educacional. Já se disse que os laptops iriam revolucionar a educação, a televisão iria revolucionar a educação, o rádio iria revolucionar a educação. E a educação continua a mesma. A discussão tem de ser sobre como fazer uma aula melhor. Uma aula em que o aluno chega preparado, já leu o material e entra para fazer uma discussão, como acontece em boas pós-graduações, é um bom uso da tecnologia. Muitas universidades tentam trazer esse modelo para a graduação, o que me parece fazer sentido. No caso do Brasil, é preciso também pensar questões de regulação. 

Quais são essas questões?

O ensino à distância tem crescido demais no Brasil. Isso não é necessariamente ruim, mas me preocupo porque o crescimento está muito concentrado em grandes grupos que têm um mau desempenho nos critérios oficiais de avaliação no ensino superior. Um estudo de um pesquisador da UFRJ, o Carlos Eduardo Bielschowsky, com base nos dados do Censo da Educação Superior, do Ministério da Educação, de 2020, mostrou que dez grupos privados concentravam 82% das matrículas de ensino a distância neste segmento. Na instituição com maior número de inscritos em cursos online, a relação é de um professor para 478 alunos. A segunda maior Universidade tem 1079 matrículas por professor. Mesmo para o ensino  distância, essa proporção não me parece nada razoável. Fico muito mais preocupado com a maneira com que este modelo de ensino está crescendo no Brasil do que com a modalidade em si.

Você conhece iniciativas mais criativas de ensino à distância no nível médio e fundamental?

Muitas escolas e pesquisadores estão tentando adaptar o conteúdo didático à lógica do game. O videogame é organizado para atrair e reter a atenção. Esse método já é utilizado em aplicativos para o aprendizado de línguas, como o Duolingo, que trabalha com incentivos. “Você subiu de nível”, “Você chegou à categoria x”. Meus filhos brincaram muito com um aplicativo chamado Rei da Matemática que também segue essa lógica: o usuário parte do mais fácil para o mais difícil, ultrapassando fases e ganhando medalhas. Se usados como uma ferramenta pedagógica, junto com o professor, os aplicativos têm um futuro promissor na educação. Mas a tecnologia é só um caminho. A inteligência está na pedagogia. E aí é que nós vamos ter o grande diferencial. Ou não.

O que faz um bom professor?  Esse perfil está mudando? 

O Instituto Península fez uma pesquisa sobre este tema em escolas públicas de São Paulo. É interessante notar que o domínio do conhecimento é importante, mas os alunos também valorizam muito a relação. A educação tradicional encara o professor como um transmissor de conteúdo, mas diversas pesquisas recentes mostram que o engajamento do professor com o aluno é muito importante. O aluno se sentir bem, seguro e respeitado pelo professor é tão importante para o processo educativo quanto o conhecimento e a técnica do mestre.

Esse aspecto faz parte da formação dos professores no Brasil? 

No mundo todo está se repensando o papel do professor. Isso pressupõe pensar a faculdade. O último documento do Conselho Nacional de Educação enfatiza um ponto de vista defendido por muitos especialistas: além do conhecimento teórico, o professor precisa ter mais conhecimento técnico. E o que é o conhecimento técnico? É saber como ensinar – é a pedagogia, em seu caráter mais estrito. Em várias pesquisas, professores relatam que sentem falta deste aspecto na formação. Já existem estágios para os futuros professores, mas são muito criticados, pois duram muito pouco tempo. Acho inteligente a ideia de que a formação do professor se assemelhe à do médico, com uma espécie de residência.  A questão é como organizar isso. É preciso que as universidades dialoguem mais com as secretarias municipais e estaduais de Educação. Este é um outro ponto em que precisamos melhorar muito no Brasil. 

Então, além do conhecimento, o mais importante no professor é a sua capacidade de se envolver e respeitar o aluno. Então é uma questão de comportamento e personalidade e não de técnica? 

Não estou dizendo que o conhecimento é pouco importante. O conhecimento é a base para algo mais. Esse algo mais tem a ver com pensamento crítico. Para isso, é preciso outro tipo de pedagogia. E, além disso, o aluno precisa estar seguro, engajado, entusiasmado. É o que chamamos de um bom clima escolar. Hoje em dia, muitas pessoas defendem que as habilidades socioemocionais são mais importantes para o sucesso na vida adulta do que o aprendizado tradicional. Saber trabalhar em grupo, respeitar o tempo de fala do outro, colocar o seu argumento de maneira a conquistar mais pessoas… O aluno pode ser o primeiro colocado no ENEM, mas se não tiver essas habilidades, outras pessoas exercerão melhor as posições de liderança. Muitas pessoas, equivocadamente, acham que boa educação é aquela baseada na transmissão de conteúdo. Transmissão de conteúdo é uma parte do processo educacional. Nós queremos muito mais do que isso.

Você escreveu um livro sobre diretores que lideraram experiências bem-sucedidas em escolas públicas. O que mais o impressionou na sua forma de atuação? 

Acho uma injustiça muito grande esperar que um diretor vá fazer um milagre. Não é razoável esperar milagres do diretor de uma escola situada numa comunidade em área de conflito, onde a maioria das famílias é de baixa renda e tem pouca escolaridade. Mas fiquei convencido de que uma boa liderança é capaz de fazer diferença em qualquer contexto. Esses diretores mobilizavam os pais e a comunidade do entorno. Eles se ocupavam também dos resultados de aprendizagem. Conversavam com o professor: “O que houve com essa turma, que não está aprendendo? Por que os resultados estão baixos?” Conversas difíceis, às vezes. Eles também se preocupavam muito com o clima escolar. Eu conversei com diretores de escolas no Brasil, México, Chile, Nova York, Canadá e Cingapura. Apesar dos contextos diferentes, eu ouvia e pensava: essas mulheres – quase todas eram mulheres – estão fazendo as mesmas coisas. 

O que elas faziam? 

As escolas que elas dirigiam tinham metas e valores claros. Essas diretoras não eram centralizadoras: distribuíam a responsabilidade, mas não de qualquer jeito. Você pode ter uma gestão democrática e distribuir funções para quem não quer fazer o trabalho ou para quem não pode ou não está preparado. Elas não se conformavam com a indisciplina. Ouviam: “Para que vai pintar a parede do banheiro outra vez se os alunos vão lá pichar de novo?” E a diretora falava: “Vamos pintar, sim. Uma vez, duas vezes, três vezes – até eles saberem que aquilo ali vai ser pintado”. Diante de problemas gravíssimos de indisciplina, uma diretora do Brasil e outra do México adotaram a mesma atitude: chamaram os alunos para conversar.  “Que escola vocês querem? Que tipo de regras de convivência precisamos ter aqui?’, perguntaram.  Não se tratava de fazer uma votação. Tem coisas de que não se pode abrir mão, como o respeito. Mas quando se impõe um código disciplinar, o efeito na mudança de comportamento tende a não ser tão forte quanto um processo pactuado. Essas diretoras mobilizavam professores e alunos, construíam pactos e – isso é muito importante – colocavam em prática. Elas tinham autoridade sem serem autoritárias. Há quem defenda a escola militar como a única solução para o problema da indisciplina. Mas as escolas que visitei mostram que existem maneiras democráticas de garantir disciplina. 

No ensino privado, os pais são, de certa forma, clientes que compram o “produto” que a escola vende. Por isso, podem se sentir no direito de exigir e intervir. Isso cria tensão nas escolas particulares? 

De fato, não se pode reduzir a escola a uma relação de consumo. Em uma escola é muito importante que haja confiança. Se não houver confiança da escola em relação aos pais e dos pais em relação à escola, temos um problema. No caso do ensino privado, é fundamental que os pais procurem uma instituição em que confiem, tanto em relação aos valores quanto à capacidade. Eles podem optar entre uma escola conteudista, uma construtivista ou uma religiosa.  E a escola tem de estar aberta ao diálogo. Quanto mais os pais estiverem engajados, melhor será a escola. 

Há alguns anos você fez consultou diretores de escolas particulares brasileiras sobre o que eles gostariam de dizer aos pais. Qual foi o resultado?

Esse texto foi um dos primeiros textos que eu escrevi quando assumi a coluna no O Globo e foi inspirado em outro texto, de um blog do New York Times.  O que achei interessante, na época, era que os diretores falavam: “Confie mais em mim. Eu sei o que eu estou fazendo”. Não é que os pais têm de aceitar tudo. Eles podem conversar, dialogar, sugerir. Mas respeitando o fato de que o profissional da educação é o professor. 

No seu livro você fala de uma instituição em que certos valores eram sempre reforçados, inclusive em cartazes expressando a missão e a visão da escola. Essa não é uma prática de empresas?  

Isso não é tão estranho ao campo educacional. As escolas brasileiras têm os seus projetos político-pedagógicos. Mas, no Brasil, esse projeto muitas vezes é só um documento burocrático que fica na gaveta. O exemplo que você citou é o de um diretor de uma escola de Nova York. Ele pegou as principais frases do projeto político pedagógico da escola e colocou nas pilastras para que todos conhecessem a missão daquela instituição. Isso não é trazer uma lógica tecnicista, reducionista à educação. Para liderar qualquer movimento social, também é preciso ter missão, valores, organização, pois as pessoas terão de ir para ação. E se você não acompanhar o resultado dessa ação, vai perder o controle e não vai saber para onde está indo. 

Como você vê o projeto de lei que regulamenta a educação domiciliar – o homeschooling – que tramita no Congresso?  

Acho um absurdo estarmos discutindo isso. A demanda por ensino domiciliar hoje no Brasil é de zero por cento dos pais. Tanto no Brasil como no mundo, essa proposta ganhou o apoio de alguns grupos, especialmente os religiosos. Os defensores do projeto acreditam que matricular as crianças na escola não deve ser uma decisão do Estado, mas das famílias. De certa forma é uma vertente radical do liberalismo, que se choca muito com a nossa legislação. Um dos grandes avanços civilizatórios foi tornar obrigatório mandar os filhos para a escola, para o bem da sociedade como um todo. No Brasil, alguns pais acham que a escola em geral é doutrinadora e fazem essa defesa da educação em casa. Mas é importante que a criança tenha acesso à diversidade. A escola pode falar uma coisa e, em casa, o aluno ouvir os pais falando outra. A escola não é um local só de transmissão de conhecimento. A escola é um local de aprendizagem através do convívio com a diversidade. Além disso, é preciso considerar que vários estudos, feitos no mundo e no Brasil, mostram que a criança estar matriculada na escola favorece a denúncia de casos de abuso. A escola tem outras funções além do aprendizado

A seu ver, em que medida o atual contexto de discussões polarizadas e a disseminação de fake news está impactando a educação e a função de professor, em especial no caso do ensino médio e superior? 

Fake news são apenas a ponta do iceberg. Estamos diante de um fenômeno muito mais amplo, que tem a ver com a relação da polarização de ideias e posições e as novas tecnologias. Aliás, fake news não são algo novo. O que há de novo é a facilidade de disseminação dessas falsas notícias em um ambiente de polarização. Acredita-se que, se ensinarmos o jovem a identificar uma notícia falsa, ele não vai cair nas fake news. Pelo contrário. Todos nós temos dificuldade de lidar com informações que desafiem as nossas crenças. Segundo a neurociência, essa atitude, que está muito ligada ao mecanismo de recompensas do cérebro, explicaria porque, mesmo com alta escolarização, os indivíduos procuram evidências que confirmam as nossas crenças.  Isso cria o que chamamos de raciocínio motivado: ao invés de estar aberto às evidências, inclusive aquelas que contrariam as suas visões, o indivíduo olha só para as informações que confirmam aquilo em que acredita. Esse problema não é só da escola. O exercício de buscar o contraditório, de olhar com respeito e tentar entender os argumentos de quem discorda de você é que amplia os seus horizontes. Isso não quer dizer que a pessoa irá mudar de ideia ou deixar de se posicionar. Ela pode ter convicções fortes e, quanto mais estiver exposta a contradições, melhores serão os seus argumentos. Para uma sociedade democrática, é importante trabalhar esses valores. Eu não estou falando nada que não esteja na nossa Base Nacional Curricular. Tudo está lá: educação midiática, pensamento crítico, pensar com a lógica do pensamento científico, com respeito, com tolerância, cidadania digital. Temos uma tarefa enorme e esperamos que as escolas façam a parte delas.

Você conhece algum projeto interessante de desenvolvimento de pensamento crítico e de reflexão sobre a circulação de informações falsas?

Sou conselheiro de uma ONG chamada Instituto Palavra Aberta que realiza um trabalho muito sério sobre isso: o projeto EducaMídia. Embora seja voltado para professores, os materiais que produzem são de interesse público. Também gosto muito do livro de duas pesquisadoras americanas, Paula McAvoy e a Diana Hess, chamado The Political Classroom, em que elas discutem o medo que a polarização política gerou nos professores e defendem que os temas polêmicos entrem nas discussões em sala de aula. Agora, é preciso estar preparado para isso. O professor precisa estabelecer acordos: o que se discute e o que não se discute? O que é fato estabelecido e o que pode ser debatido? Mesmo assuntos polêmicos podem ser discutidos com respeito, deixando as pessoas se expressarem, desenvolverem os seus pontos de vista, desde que haja confiança. Isso tudo faz parte de uma educação para a tolerância que precisamos oferecer.

Como é a sua experiência de pai de duas crianças em idade escolar no Brasil? Você optou por qual tipo de escola? 

Eu confesso que ao escolher observo muito os pais com quem vou me relacionar, porque a criança também vai aprender nessa relação com os outros pais, com os amigos. Infelizmente nosso sistema é tão elitizado que ocorre uma perda de diversidade, péssima para os meninos. Quando morei em Nova York, meus filhos estudavam em escolas públicas e tinham amigos que moravam em uma cobertura em Manhattan e outros que viviam em conjuntos habitacionais. Minha filha ia para a festa da criança mais rica e depois para a da criança mais pobre. A possibilidade de viver essa experiência é muito rara no Brasil.

A dificuldade de encontrar escolas públicas com boa qualidade pedagógica faz com que os pais acabem optando por esse sistema sem diversidade, não é? 

Já uma percepção equivocada de que temos uma educação pública péssima e uma educação privada ótima. Mas, quando comparamos os dados do PISA [Programa Internacional de Avaliação de Estudantes] de alunos brasileiros filhos de pais de nível superior – potencialmente, alunos do sistema privado – com alunos do mesmo perfil de outros países, os resultados do Brasil continuam a ser muito ruins. O problema é as pessoas acharem que as escolas de altíssimo investimento representam a média do ensino privado. Não é verdade. Uma pesquisa sobre a educação em São Paulo mostrou que escolas privadas de baixa mensalidade tinham resultado no ENEM muito parecido com as escolas estaduais de São Paulo. Claro que, quando a comparação era com escolas de alta mensalidade, havia realmente um abismo. Por isso a luta por uma educação pública de melhor qualidade é uma luta de todos. Nós que temos filhos em escolas particulares somos muito prejudicados pelo baixo investimento em escolas públicas. 

O que poderia melhorar esse quadro nas escolas privadas?

Dos fatores internos à escola, nada é mais importante do que o professor e o diretor. É preciso que a carreira de professor seja capaz de atrair mais talentos. Não é que não haja professores maravilhosos e premiadíssimos no Brasil. Eu estou pensando no sistema. As escolas públicas que visitei em Cingapura são comunidades de aprendizado profissional. Os professores estão sempre aprendendo. Aliás, como ocorre em qualquer carreira. Se houver uma formação melhor da carreira docente e um mercado de trabalho mais atraente, com salários melhores para os professores do ensino público, no médio e longo prazo isso vai beneficiar a todos. Uma escola pública melhor vai fazer a escola privada ser melhor, porque vai gerar competição. Então, o pai cujo filho está na melhor escola particular do Rio de Janeiro e de São Paulo também precisa levantar a bandeira da defesa da escola pública. Para isso precisamos de um projeto que não seja imediatista. Esse é um projeto de país. 

Entrevista concedida a Anabela Paiva