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Drogas: do veneno ao remédio, um debate cada vez mais urgente

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Cogumelos alucinógenos podem ser usados para combater a dependência do álcool? O Ectasy, usado para aquecer as baladas, pode aliviar o stress pós-traumático? Quais os riscos do uso abusivo de medicamentos como os ansiolíticos e antidepressivos? Dartiu Xavier da Silveira, paulista de 65 anos e professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) busca respostas para perguntas como estas em suas pesquisas sobre substâncias psicoativas e dependência. Um tema que ele abraçou em 1986, quando era um jovem psiquiatra e fez um curso de especialização em Toxicomanies no Centre Medical Marmottan, na França. Psiquiatra e analista junguiano, Dartiu conjuga a pesquisa ao tratamento do uso inadequado de drogas, no seu consultório e no Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (PROAD) da Unifesp. Além disso, é uma das principais vozes no debate sobre políticas de drogas no Brasil e autor textos de formação de profissionais de saúde, como uma cartilha em que defende que a prevenção começa na infância, com a formação de jovens menos vulneráveis à dependência. Na entrevista ao Espaço Aberto, o médico alerta contra o temor relacionado a drogas como maconha e a tolerância excessiva em relação ao álcool: “As pessoas precisam deixar de ter uma visão simplista das drogas. A mesma droga pode ser um grande veneno e um grande remédio”.

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“Vivemos uma cultura do aplauso”

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Quase todo mundo tem este item na sua lista de projetos irrealizados: organizar as fotos de família. No passado, as imagens de nascimentos, batizados, festas e viagens compunham álbuns que eram exibidos às visitas e herdados por filhos e netos. Hoje, a torrente contínua de fotografias que produzimos só ganha uma efêmera visibilidade nas redes sociais. As fotos se acumulam, esquecidas, em nuvens de computação e HDs. Claudia Linhares Sanz, ex-fotógrafa profissional, pesquisadora da Pós-Graduação em Comunicação e professora da Universidade de Brasília (UNB), já foi uma entusiasta dos álbuns de família. Hoje, aos 49 anos, dona de HDs repletos de imagens não ampliadas, ela explica o abandono dos álbuns pela sociedade contemporânea como parte de uma transformação ampla: “No contexto atual, as fotografias familiares não organizam uma narrativa coesa e não têm o fortalecimento de um sentimento de família como maior objetivo. Elas estão voltadas muito mais para um sentimento empreendedor”. Líder do grupo de pesquisa “Imagem, Tecnologia e Subjetividade” do CNPq, ela explica que as fotos pessoais e familiares tornaram-se meios de adensar a realidade e intensificar o prazer do mundo real pela aprovação nas redes sociais. “Até quando vamos aderir a essa cultura do aplauso?”, indaga.

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“A questão não é a tecnologia, é a pedagogia”

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A repetência, entendida por muitos como indício de qualidade na educação, é ineficaz e cara. A desigualdade começa na sala de aula, entre os alunos que se sentam no centro e os que ficam na periferia. O uso de tecnologia não implica, necessariamente, em uma melhora do ensino. Estes são alguns assuntos que o jornalista Antônio Gois tem abordado na sua coluna no jornal O Globo, em palestras e livros. Desde 1996 dedicado a escrever sobre Educação, Gois é diretor e fundador da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), que reúne mais de mil profissionais, e colaborador do Instituto Unibanco. É, ainda, autor dos livros Quatro Décadas de Gestão Educacional no Brasil (2018) e Líderes na Escola: o que fazem bons diretores e diretoras, e como os melhores sistemas educacionais do mundo os selecionam, formam e apoiam (2020). Carioca radicado em São Paulo, o jornalista de 46 anos também vivencia as questões da Educação como pai de Rosa, de 9 anos, e Francisco, de 12. Nesta entrevista, Gois discute o ensino a distância, a formação de professores, homeschooling, a importância do convívio com a diversidade nos ambientes escolares e os efeitos da polarização de opiniões sobre o ensino. “Transmissão de conteúdo é uma parte do processo educacional. Nós queremos muito mais do que isso”, define.

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“O desafio é trazer a sucessão para a vida real”

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O Direito e as sucessões estão no DNA da advogada Ana Luiza Maia Nevares. “Meu bisavô foi o primeiro inventariante judicial do Rio de Janeiro “, conta ela. Ao ingressar na faculdade, logo foi trabalhar com o avô, também advogado e dedicado à solução de conflitos sucessórios e de família. Hoje, aos 44 anos, a carioca é um dos principais nomes do escritório Bastos Tigre, Coelho da Rocha, Lopes e Freitas Advogados onde criou um departamento que concilia o Direito de Família e o das Sucessões. Doutora pela UERJ, Ana Luiza equilibra a banca com a vida acadêmica – é professora de Direito Civil e coordenadora do curso de pós-graduação em Práticas Jurídicas em Direito das Famílias e Sucessões da universidade PUC-Rio. “É muito bom poder fazer as duas coisas porque, ao atuar como advogada em muitos casos, consigo levar para o aluno a vida real. Por outro lado, a vida acadêmica me mantém sempre atualizada. Uma atividade complementa a outra”, diz Ana Luiza.  Autora do livro A função promocional do testamento (Renovar, 2009) e de dezenas de outros textos, ela ainda encontra tempo para se dedicar à diretoria do Instituto Brasileiro de Direito das Famílias (IBDFAM), na seccional do Rio. “Se achamos que é preciso mudar o Direito e a sociedade, precisamos atuar através das instituições. É através delas que conseguimos chegar próximo aos poderes capazes de mudar alguma coisa.” 

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Avós: novas expectativas, antigos conflitos e o afeto de sempre

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Em um mundo de relações virtuais, casamentos breves, carreiras instáveis e novos modelos familiares, avós e avôs têm precisado atender a novas expectativas. Por um lado, continuam a ser o porto seguro ao qual filhos e netos recorrem quando sacudidos pelas turbulências da vida, como um divórcio ou o desemprego. Por outro, desejam ser cada vez mais independentes e autônomos, e precisam estar antenados com as novidades e aceitar novos comportamentos e valores. Não devem dar palpite na dieta estrita dos netos, mas ai deles se não puderem – ou quiserem – cuidar das crianças quando os pais viajam ou estão sobrecarregados de trabalho. Esse é o contexto que a antropóloga Myriam Lins de Barros, professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, observa, com o olhar de quem pesquisa o tema da família e da velhice desde o fim dos anos 1970 e é avó de quatro netos. Autora de sete livros, entre eles Autoridade e afeto – Avós, filhos e netos na família brasileira (Zahar, 1987) e Família e Gerações (FGV Editora, 2006), além de inúmeros artigos e outros textos, a carioca de 70 anos constata que, embora a atual geração de avós e seus filhos tenham visões de mundo mais próximas do que no passado, os conflitos continuam. “Os avós, sobretudo as mulheres, gostariam de interferir mais na educação dos netos do que os filhos permitem. Para os avós, é como se a sua experiência de vida não fosse considerada por não estar de acordo com as regras do momento”, diz ela.

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Exercícios para um corpo inteligente

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Dona de dois estúdios de Pilates no Rio de Janeiro, Mariana Lobato costuma dizer que seu propósito é “tornar o corpo inteligente a partir do movimento”.  A frase sintetiza sua visão do Pilates, prática que associa o bem-estar mental ao físico. Afinal, ela diz, o corpo é o meio pelo qual o ser humano age e se expressa e é moldado pela cultura, a experiência individual e a história dos antepassados. Nascida no Chile, onde seus pais viveram como exilados, Mariana cresceu na Bahia, onde também cursou dança. Foi nessa época que ela conheceu o Pilates, novidade no Brasil, através de uma amiga bailarina, que acabara de chegar dos EUA. Em 1997, mudou-se para o Rio de Janeiro, para dançar na Companhia Ana Vitória, de dança contemporânea. Ao mesmo tempo, transformou a sala do seu apartamento no primeiro estúdio de Pilates da cidade. Nesta entrevista, Mariana, também professora da Angel Vianna Faculdade de Dança, conta que os treinos online têm ajudado a manter a saúde dos alunos e atribui o sucesso do método, criado pelo alemão Joseph Pilates nas primeiras décadas do século 20, à união da autopercepção ao trabalho muscular. “Forma é conteúdo. Minha forma é quem eu sou.”

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Pós pandemia, as mudanças no morar

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“Fique em casa.” Desde março, quando a epidemia de Covid-19 chegou ao Brasil, a frase tem sido repetida à exaustão. O isolamento social aumentou a permanência das famílias no lar e provocou mudanças no mercado imobiliário. O arquiteto e urbanista Sergio Conde Caldas desenha nesta entrevista algumas das novas tendências, como a criação de espaços de trabalho isolados da balbúrdia familiar e o êxodo de parte da população para áreas mais verdes no entorno das grandes metrópoles. Já os novos projetos empresariais pedem ambientes menores e ênfase na sustentabilidade. Fundador da Opy Soluções Urbanas e vencedor de vários prêmios de arquitetura, como o International Architeture Awards, o carioca de 48 anos aposta no sucesso de apartamentos pequenos e bem planejados, que poderão atrair novos moradores para bairros degradados, e prevê que as próximas gerações terão pouco interesse em adquirir imóveis. “O jovem não vai mais se endividar para comprar um apartamento. Vai investir nele mesmo”, acredita.

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Começa em 2020 a escola do século 21

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Um dos efeitos colaterais da pandemia do Covid-19 é a transformação das escolas, acredita Patricia Konder Lins e Silva. Uma das diretoras da Escola Parque, na Zona Sul do Rio de Janeiro, a pedagoga carioca constata que a necessária transformação das instituições de ensino finalmente começou. “O vírus fez com que a humanidade acordasse”, diz, apostando que a adoção de plataformas online de aprendizado e o estabelecimento de novas relações entre alunos e professores vieram para ficar. Autora do livro Inteligência se aprende (Casa da Palavra, 2011), Patricia Konder prevê que nos próximos anos muitas escolas passarão a adotar um modelo híbrido de ensino, combinando aulas presenciais e remotas. Uma mudança que poderá anunciar transformações bem mais profundas, como a substituição do ensino de conteúdos pelo aprendizado a partir de problemas. Se a pandemia representou uma catástrofe para a maior parte das instituições públicas, no caso das escolas privadas, as mudanças ocorridas no ano de 2020 podem ser o anúncio de uma nova era na educação.

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Na pandemia, vivemos entre o excesso de presença e de ausência do outro

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A carioca Gladis Brun é uma pioneira da terapia de família no Brasil. Durante sua formação como psicóloga e terapeuta, fez parte de um grupo de psicanalistas na Argentina, dedicado às relações familiares. Em 1975 atendeu ao primeiro casal. Desde então, acompanhou do seu consultório as grandes mudanças que se deram na sociedade, como a chegada do divórcio, o enfraquecimento do modelo patriarcal e a popularização dos novos modelos de família. Em casa, em razão da pandemia do Covid-19, Gladis continua a atuar como terapeuta, acompanhando, em sessões pela internet, os que sofrem os efeitos do isolamento social. Enquanto isso, ela também padece com a distância dos amigos e netos. Autora de livros como Bem-Me-Quer, Mal-Me-Quer: Retratos do Divórcio e Pais, Filhos e Cia Ilimitada (ambos da Record) e premiada pela Academia Americana de Terapia de Família (AFTA), a terapeuta alerta para os conflitos que derivam da falta – ou do excesso – da presença do outro: “O equilíbrio se perdeu. Os nervos estão à flor da pele”.

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Jovens: supernutridos de informação, subnutridos de vivências

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“Keep calm, work hard and stop the mimimi.” A frase é uma das favoritas nas palestras do paulista Sidnei Oliveira, autor de livros sobre o desenvolvimento profissional e pessoal de jovens, como  “Geração Y”, “Conectados, mas muito distraídos” e “Cicatrizes – O desafio de amadurecer no século 21”. Formado em publicidade, Sidnei deixou uma carreira de executivo em instituições financeiras nos anos 1990 para surfar a primeira onda da internet no Brasil, criando os sites Achei  e Zeek. Depois de vender as empresas para a estrangeira Star Media, e de um período como executivo para a E-Financial Tecnologia, ele decidiu se dedicar à formação de executivos e jovens. Fundador da Escola de Mentores, o consultor de 57 anos diz que os jovens de hoje vivem em “bolhas de ilusão” e alerta para os prejuízos de uma educação excessivamente protetora: “Os pais  subestimam a capacidade dos filhos. Têm um medo danado de lhes dar autonomia”.  

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