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Pós pandemia, as mudanças no morar

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“Fique em casa.” Desde março, quando a epidemia de Covid-19 chegou ao Brasil, a frase tem sido repetida à exaustão. O isolamento social aumentou a permanência das famílias no lar e provocou mudanças no mercado imobiliário. O arquiteto e urbanista Sergio Conde Caldas desenha nesta entrevista algumas das novas tendências, como a criação de espaços de trabalho isolados da balbúrdia familiar e o êxodo de parte da população para áreas mais verdes no entorno das grandes metrópoles. Já os novos projetos empresariais pedem ambientes menores e ênfase na sustentabilidade. Fundador da Opy Soluções Urbanas e vencedor de vários prêmios de arquitetura, como o International Architeture Awards, o carioca de 48 anos aposta no sucesso de apartamentos pequenos e bem planejados, que poderão atrair novos moradores para bairros degradados, e prevê que as próximas gerações terão pouco interesse em adquirir imóveis. “O jovem não vai mais se endividar para comprar um apartamento. Vai investir nele mesmo”, acredita.

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Começa em 2020 a escola do século 21

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Um dos efeitos colaterais da pandemia do Covid-19 é a transformação das escolas, acredita Patricia Konder Lins e Silva. Uma das diretoras da Escola Parque, na Zona Sul do Rio de Janeiro, a pedagoga carioca constata que a necessária transformação das instituições de ensino finalmente começou. “O vírus fez com que a humanidade acordasse”, diz, apostando que a adoção de plataformas online de aprendizado e o estabelecimento de novas relações entre alunos e professores vieram para ficar. Autora do livro Inteligência se aprende (Casa da Palavra, 2011), Patricia Konder prevê que nos próximos anos muitas escolas passarão a adotar um modelo híbrido de ensino, combinando aulas presenciais e remotas. Uma mudança que poderá anunciar transformações bem mais profundas, como a substituição do ensino de conteúdos pelo aprendizado a partir de problemas. Se a pandemia representou uma catástrofe para a maior parte das instituições públicas, no caso das escolas privadas, as mudanças ocorridas no ano de 2020 podem ser o anúncio de uma nova era na educação.

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Na pandemia, vivemos entre o excesso de presença e de ausência do outro

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A carioca Gladis Brun é uma pioneira da terapia de família no Brasil. Durante sua formação como psicóloga e terapeuta, fez parte de um grupo de psicanalistas na Argentina, dedicado às relações familiares. Em 1975 atendeu ao primeiro casal. Desde então, acompanhou do seu consultório as grandes mudanças que se deram na sociedade, como a chegada do divórcio, o enfraquecimento do modelo patriarcal e a popularização dos novos modelos de família. Em casa, em razão da pandemia do Covid-19, Gladis continua a atuar como terapeuta, acompanhando, em sessões pela internet, os que sofrem os efeitos do isolamento social. Enquanto isso, ela também padece com a distância dos amigos e netos. Autora de livros como Bem-Me-Quer, Mal-Me-Quer: Retratos do Divórcio e Pais, Filhos e Cia Ilimitada (ambos da Record) e premiada pela Academia Americana de Terapia de Família (AFTA), a terapeuta alerta para os conflitos que derivam da falta – ou do excesso – da presença do outro: “O equilíbrio se perdeu. Os nervos estão à flor da pele”.

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Jovens: supernutridos de informação, subnutridos de vivências

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“Keep calm, work hard and stop the mimimi.” A frase é uma das favoritas nas palestras do paulista Sidnei Oliveira, autor de livros sobre o desenvolvimento profissional e pessoal de jovens, como  “Geração Y”, “Conectados, mas muito distraídos” e “Cicatrizes – O desafio de amadurecer no século 21”. Formado em publicidade, Sidnei deixou uma carreira de executivo em instituições financeiras nos anos 1990 para surfar a primeira onda da internet no Brasil, criando os sites Achei  e Zeek. Depois de vender as empresas para a estrangeira Star Media, e de um período como executivo para a E-Financial Tecnologia, ele decidiu se dedicar à formação de executivos e jovens. Fundador da Escola de Mentores, o consultor de 57 anos diz que os jovens de hoje vivem em “bolhas de ilusão” e alerta para os prejuízos de uma educação excessivamente protetora: “Os pais  subestimam a capacidade dos filhos. Têm um medo danado de lhes dar autonomia”.  

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O futuro no presente

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Lançado em 1968, o filme 2001 – Uma odisseia no espaço fascinou audiências com um computador capaz de conversar naturalmente, reconhecer imagens e sons e assumir o controle da espaçonave. Meio século depois, parece que 2001 finalmente chegou. A tecnologia de Aprendizado de Máquina permite que computadores sejam capazes de dialogar com seres humanos, dirijam carros, influenciem relações amorosas e até a aprovação de um empréstimo. A chegada dos assistentes virtuais,  dispositivos com alto-falantes ligados à internet, que obedecem a comandos de voz, anuncia uma época em que será normal falar com a própria casa, através da Internet das Coisas. Uma mudança que já começou no apartamento do carioca Pedro Dória, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro, onde as luzes são desligadas sem tocar o interruptor. Palestrante e escritor, desde 1994 Dória escreve sobre internet e computadores. Em 1995, lançou o primeiro livro sobre a rede no Brasil, intitulado “Manual para a internet”(Revan). Desde então, assinou outras seis obras, três delas sobre a história brasileira. Colunista dos jornais Globo e Estado de S. Paulo e da rádio CBN, o jornalista de 45 anos vê com entusiasmo, mas também com cautela, o impacto do avanço da tecnologia no trabalho, na economia, na política e nas relações. E recomenda aos pais que priorizem ensinar aos filhos a tolerância às mudanças: “A cada 10, 15 anos, o mundo vai ser completamente diferente”. 

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Mindfulness: uma proposta para sair do automático

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Mindfulness. Coloque a palavra no Google, e ele responderá com 116 milhões de resultados. O número dá uma ideia do tamanho da popularidade da técnica, assunto de  livros, centros dedicados ao bem estar, cursos em empresas e escolas. Criada em 1979 pelo professor americano John Kabat-Zinn, da Universidade de Massachussets, nos EUA, a prática tem como objetivo a redução do estresse e o desenvolvimento da capacidade de superar dores e desafios cotidianos e é cada vez mais popular nos EUA e na Europa, onde os aplicativos Headspace e Calm já foram baixados por 38 milhões de usuários. No Brasil, a técnica, também chamada de atenção plena, se dissemina e começa a chegar a escolas, como a Esfera, em São Paulo, e a Britânica, no Rio, através do trabalho de instrutores como a paulista Marina Neumman, 53 anos. Engenheira eletrônica, Marina trabalhou em multinacionais na área de Tecnologia até que percebeu nos programas de minfulness um novo caminho profissional. Especialista em Mindfulness pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, com cursos de especialização da técnica aplicada à oncologia, educação e liderança corporativa, ela dirige o Instituto Latino Americano de Mindfulness e Bem Estar e garante: “O mindfulness não é uma onda passageira”.

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A moral da magreza e a pastoral do suor

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Vivemos numa cultura bulímica, que convida ao excesso, e depois exige o seu expurgo

A mãe aflita e seu filho gordinho, que sofre bullying na escola. A bailarina, muito magra, obcecada pela dieta. O homem forte, que se vê franzino; a magra, que acredita ser  gorda. São exemplos dos que sofrem o que a psicanalista Joana Novaes chama de doenças da beleza. Cada vez mais frequentes, elas são produto de uma cultura que valoriza a comida como símbolos de status, alegria e afeto, mas que também impõe uma moral da magreza, exigindo corpos ascéticos. No Brasil, 4,7% da população apresenta algum transtorno alimentar.  Aos 42 anos, pós doutora em Psicologia Médica e Social, a psicanalista carioca é especialista em transtornos alimentares e coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa e Intervenção Social (LIPIS) da PUC-Rio. Consultora da marca Dove, ela é autora de O intolerável peso da feiúra – Sobre as mulheres e seus corpos e Com que corpo eu vou? Sociabilidade e usos do corpo nas mulheres das camadas altas e populares, além de vários artigos.

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“Precisamos tomar decisões para os nossos filhos, netos e bisnetos”

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O economista Sergio Besserman adora contar histórias – e se dedica a isso. Nesses tempos apressados, em que a objetividade é virtude venerada, o carioca de 61 anos ilustra suas ideias com citações de filósofos e cientistas sociais. Tempera a filosofia com piadas e um ou outro palavrão. É com essa mistura de humor e erudição que Besserman fascina audiências, tanto como professor da PUC, como em suas palestras sobre mudanças climáticas e sustentabilidade, tema a que se dedica desde 1992. Com frequência, o presidente do Instituto Jardim Botânico, deixa o seu gabinete para falar a jovens em escolas e centros culturais de bairros de periferia. “Isso é o meu ativismo. É o mais importante”, diz Besserman. Ex-diretor do BNDES, e ex-presidente do IBGE, vencedor de prêmios como o BNDES (por sua tese de mestrado) e Faz Diferença, o economista tem uma certeza: economia e hábitos terão de mudar radicalmente para reduzir o impacto sobre o meio ambiente. A questão é se essa transformação será feita nas próximas décadas. “Se não fizermos agora, terá de ser feito de forma muito mais acelerada, e com muito mais perturbações climáticas, econômicas e civilizatórias”, prevê. Por outro lado, Besserman considera a crise ambiental como o catalisador de uma revolução profunda, comparável ao Renascimento e ao Iluminismo: “Pela primeira vez, o conhecimento humano está dizendo para nós: tem limites”.

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Justiça fora do tribunal

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“Vara de Família não é o lugar para se discutir ressentimento”

O site da advogada Olivia Furst tem na home fotos de momentos familiares e frases de Gandhi e Caetano Veloso (“Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem, apenas sei de diversas harmonias bonitas, possíveis e sem juízo final”). No seu escritório, em uma casa charmosa de Botafogo, uma sala cheia de brinquedos mostra que as crianças são bem vindas. É ali que a carioca de 42 anos exerce a advocacia colaborativa, ramo ainda pouco conhecido da profissão. A especialidade tem uma peculiaridade: dispensa os embates nos tribunais. Nas negociações de divórcio e partilhas que costuma assessorar, Olivia assina um compromisso de não litigância com o advogado da outra parte. Assim, os dois profissionais e as pessoas envolvidas podem negociar com liberdade o melhor acordo possível.

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Os bem-vindos filhos da ciência

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Em 1978, casais inférteis que desejavam ter filhos não tinham outra opção além da adoção. Foi quando o nascimento da primeira “bebê de proveta” do mundo, a inglesa Louise Brown, tornou possível o sonho de gerar e dar à luz através da fertilização in vitro (FIV). Desde então, mais de 8 milhões de pessoas nasceram no mundo por meio da técnica. No Brasil, o primeiro bebê de proveta veio à luz em 1984; estima-se que mais de 500 mil crianças o seguiram. Em um país em que as mulheres vêm adiando a gestação e a longevidade aumentou, a opção pela FIV se torna cada vez mais comum: o número de ciclos de fertilização in vitro cresceu 168% entre 2011 e 2017, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mas, apesar da sua popularidade, a geração in vitro exige um processo de avaliação psicológica e pode resultar em dramas éticos, como a busca dos filhos pelos doadores. Rose Marie Melamed, psicóloga paulistana, 61 anos, atende pacientes de uma das maiores clínicas especializadas de São Paulo e trabalha com o tema desde que recorreu à técnica para gerar suas duas filhas. Do seu consultório, acompanha o impacto da reprodução assistida na formação de novas e diversas famílias. E lembra a alegria com que ouviu, do filho de duas mulheres: “O seu trabalho é muito legal. As pessoas têm o direito de viver e ser felizes.”

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