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A moral da magreza e a pastoral do suor

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Vivemos numa cultura bulímica, que convida ao excesso, e depois exige o seu expurgo

A mãe aflita e seu filho gordinho, que sofre bullying na escola. A bailarina, muito magra, obcecada pela dieta. O homem forte, que se vê franzino; a magra, que acredita ser  gorda. São exemplos dos que sofrem o que a psicanalista Joana Novaes chama de doenças da beleza. Cada vez mais frequentes, elas são produto de uma cultura que valoriza a comida como símbolos de status, alegria e afeto, mas que também impõe uma moral da magreza, exigindo corpos ascéticos. No Brasil, 4,7% da população apresenta algum transtorno alimentar.  Aos 42 anos, pós doutora em Psicologia Médica e Social, a psicanalista carioca é especialista em transtornos alimentares e coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa e Intervenção Social (LIPIS) da PUC-Rio. Consultora da marca Dove, ela é autora de O intolerável peso da feiúra – Sobre as mulheres e seus corpos e Com que corpo eu vou? Sociabilidade e usos do corpo nas mulheres das camadas altas e populares, além de vários artigos.

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“Precisamos tomar decisões para os nossos filhos, netos e bisnetos”

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O economista Sergio Besserman adora contar histórias – e se dedica a isso. Nesses tempos apressados, em que a objetividade é virtude venerada, o carioca de 61 anos ilustra suas ideias com citações de filósofos e cientistas sociais. Tempera a filosofia com piadas e um ou outro palavrão. É com essa mistura de humor e erudição que Besserman fascina audiências, tanto como professor da PUC, como em suas palestras sobre mudanças climáticas e sustentabilidade, tema a que se dedica desde 1992. Com frequência, o presidente do Instituto Jardim Botânico, deixa o seu gabinete para falar a jovens em escolas e centros culturais de bairros de periferia. “Isso é o meu ativismo. É o mais importante”, diz Besserman. Ex-diretor do BNDES, e ex-presidente do IBGE, vencedor de prêmios como o BNDES (por sua tese de mestrado) e Faz Diferença, o economista tem uma certeza: economia e hábitos terão de mudar radicalmente para reduzir o impacto sobre o meio ambiente. A questão é se essa transformação será feita nas próximas décadas. “Se não fizermos agora, terá de ser feito de forma muito mais acelerada, e com muito mais perturbações climáticas, econômicas e civilizatórias”, prevê. Por outro lado, Besserman considera a crise ambiental como o catalisador de uma revolução profunda, comparável ao Renascimento e ao Iluminismo: “Pela primeira vez, o conhecimento humano está dizendo para nós: tem limites”.

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Justiça fora do tribunal

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“Vara de Família não é o lugar para se discutir ressentimento”

O site da advogada Olivia Furst tem na home fotos de momentos familiares e frases de Gandhi e Caetano Veloso (“Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem, apenas sei de diversas harmonias bonitas, possíveis e sem juízo final”). No seu escritório, em uma casa charmosa de Botafogo, uma sala cheia de brinquedos mostra que as crianças são bem vindas. É ali que a carioca de 42 anos exerce a advocacia colaborativa, ramo ainda pouco conhecido da profissão. A especialidade tem uma peculiaridade: dispensa os embates nos tribunais. Nas negociações de divórcio e partilhas que costuma assessorar, Olivia assina um compromisso de não litigância com o advogado da outra parte. Assim, os dois profissionais e as pessoas envolvidas podem negociar com liberdade o melhor acordo possível.

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Os bem-vindos filhos da ciência

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Em 1978, casais inférteis que desejavam ter filhos não tinham outra opção além da adoção. Foi quando o nascimento da primeira “bebê de proveta” do mundo, a inglesa Louise Brown, tornou possível o sonho de gerar e dar à luz através da fertilização in vitro (FIV). Desde então, mais de 8 milhões de pessoas nasceram no mundo por meio da técnica. No Brasil, o primeiro bebê de proveta veio à luz em 1984; estima-se que mais de 500 mil crianças o seguiram. Em um país em que as mulheres vêm adiando a gestação e a longevidade aumentou, a opção pela FIV se torna cada vez mais comum: o número de ciclos de fertilização in vitro cresceu 168% entre 2011 e 2017, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mas, apesar da sua popularidade, a geração in vitro exige um processo de avaliação psicológica e pode resultar em dramas éticos, como a busca dos filhos pelos doadores. Rose Marie Melamed, psicóloga paulistana, 61 anos, atende pacientes de uma das maiores clínicas especializadas de São Paulo e trabalha com o tema desde que recorreu à técnica para gerar suas duas filhas. Do seu consultório, acompanha o impacto da reprodução assistida na formação de novas e diversas famílias. E lembra a alegria com que ouviu, do filho de duas mulheres: “O seu trabalho é muito legal. As pessoas têm o direito de viver e ser felizes.”

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“A adoção saiu do armário.”

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Mais de 44 mil pessoas aguardam pela oportunidade de adotar; enquanto isso, cerca de 9 mil crianças e adolescentes estão disponíveis para adoção e outras 38 mil vivem em abrigos e programas de acolhimento, à espera da conclusão do processo de destituição do poder familiar. Os anos passam, as crianças se tornam adolescentes e menos atraentes para os adotantes, na maioria interessados em meninos e meninas de até 6 anos. Como acelerar o processo de adoção e encontrar famílias para indivíduos mais velhos e com deficiências? Esse é o trabalho – e a paixão – da advogada Silvana do Monte. Mãe de Carol, filha biológica, e Gabi, adotiva, ela deixou o direito empresarial e hoje, entre outras frentes, é presidente da Comissão Nacional de Adoção do Instituto Brasileiro de Direito da Família. Apesar das dificuldades no processo de adoção no Brasil, a alagoana de 58 anos vê com entusiasmo a ampliação das adoções inter-raciais e por famílias homoafetivas e a redução do estigma que envolve o tema. “A adoção saiu do armário”, garante.

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“De quem é a vez de lavar a louça?” – Homens, mulheres e desigualdade no trabalho

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A maioria das mulheres – e dos homens – concordaria com a afirmação de que a entrada das mulheres no mercado de trabalho reduziu a desigualdade de gênero. Bila Sorj, socióloga e historiadora, pensa diferente. Professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro e uma das pioneiras dos estudos de gênero no Brasil, ela aponta para o fato de que o desempenho de atividades remuneradas não eximiu as mulheres de permanecerem como as principais responsáveis pelas tarefas domésticas. Segundo dados do IBGE de 2017, as mulheres empregadas trabalham 3 horas semanais a mais do que os homens. Embora seus companheiros tenham jornadas mais longas no emprego (41,1 horas semanais), eles dedicam menos tempo aos cuidados com a casa e a família (10,5 horas por semana). Já as mulheres,  apesar de cumprirem uma jornada remunerada mais curta (36,5 horas semanais), investem 18 horas por semana, em média, nos afazeres domésticos. Coordenadora do NESEG – Núcleo de Estudos de Sexualidade e Gênero da UFRJ, Bila Sorj acredita que, para equilibrar essa relação, o Estado e as empresas precisam estabelecer políticas de apoio às famílias no cuidado de crianças e idosos. “Está na hora de reduzir a jornada de trabalho”, acredita.

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Solução de conflitos: uma questão de método

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Os antigos já diziam: “pense duas vezes antes de falar”. Não demos ouvidos. Tanto que, na atualidade, convivemos com haters e tretas nas redes sociais, bullying nas escolas e assédio moral no trabalho. Felizmente, não foi só nos conflitos que nos desenvolvemos. Desde os anos 1960, psicólogos vem desenvolvendo métodos para aumentar a empatia e facilitar a comunicação produtiva.  Essa é a especialidade da coach Marie Bendelac Ururahy. Formada em administração na França, seu país natal, fez especializações de Coaching, Psicologia e Psicologia Positiva em Harvard. Uma das bases do seu trabalho na empresa Be Coaching é a comunicação não-violenta – um método que ajuda o indivíduo a organizar a expressão de sentimentos, necessidades e demandas, facilitando a solução de conflitos. Nesta entrevista, ela explica como esse método pode levar à resolução de conflitos na família e em outros contextos, como as relações de amizade e de trabalho. “O conflito é inerente ao ser humano. O que precisamos fazer é criar uma conexão que permita chegar a um diálogo produtivo para resolver a situação e preservar a relação.”

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“A morte nos ensina a viver e amar em plenitude”

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No ritmo agitado das grandes metrópoles, determinado pelas atribulações da vida familiar, a luta pelo sucesso profissional e o usufruto das recompensas do trabalho, muitos preferem ignorar a perspectiva da morte. Quando o fim chega, encontra-os despreparados para a dor. Médica geriatra formada pela USP e pós-graduada em Psicologia, a paulista Ana Claudia Arantes implantou e coordenou o Grupo de Terapia da Dor e Cuidados Paliativos do Hospital Albert Einstein. Hoje, além de formar médicos na especialidade, na Associação Casa do Cuidar, ela também se dedica a alertar diferentes públicos para a importância de refletir sobre a finitude humana, valorizando a morte como um marco que ajuda indivíduos a viver intensamente.  É este o assunto de seu livro, “A morte é um dia que vale a pena viver”(Leya/Casa da Palavra). “No final, o que vai contar não é o que se conta. A pessoa não morre feliz pelo que tem, mas pelo que fez”, adverte.

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As crianças precisam de frustrações para crescer

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Há mais de 30 anos o psicanalista Cesar Ibrahim atende crianças e adolescentes – além dos seus pais – em seu consultório. Dos anos 80 até hoje, assistindo às mudanças de padrões e costumes, ele aponta a fragilidade dos pais e a dificuldade de impor limites aos filhos como uma questão grave para muitas famílias. Palestrante requisitado e consultor de escolas, Cesar recebeu a equipe da série “Questões de Família” e adverte: é um equívoco dos pais ter como grande objetivo fazer a felicidade dos filhos. O risco é leva-los a uma adolescência tardia e produzir adultos incapazes de lidar com as frustrações.

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Consumo e dádiva: uma linguagem das relações

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Os CDs trocados no amigo oculto, o presente caríssimo que os pais têm de dar ao filho no Natal e os objetos de baixo valor em disputa nos processos de herança e separação fazem parte de um código de comunicação, que todos compartilhamos. Aqueles que não dominam essa linguagem colocam suas relações em risco. É o que explica a antropóloga Maria Claudia Coelho, diretora do Instituto de Ciências Sociais da UERJ e autora do livro O Valor das Intenções: Dádiva, Emoção e Identidade (Editora FGV). Nesta entrevista, a pesquisadora carioca comenta como hierarquias de gênero se expressam na troca de presentes entre marido e mulher; discute a sociedade de consumo e reflete sobre a hostilidade provocada pela dádiva que não pode ser retribuída. “O presente tem um potencial de insulto, como as palavras”, adverte.

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